Nunca encontrei ninguém completamente incapaz de aprender a desenhar.

John Ruskin, intelectual inglês do século XIX


Pensamos que o Diário Gráfico melhora a nossa observação, faz-nos desenhar mais e o compromisso de colaborar num blogue ainda mais acentua esse facto. A única condição para colaborar neste blogue é usar como suporte um caderno, bloco ou objecto semelhante: o Diário Gráfico.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Bolos


ENcosta de S.Vicente vista do parque do Choupal, TV.



Desenhar na encosta de S. Vicente, Torres Vedras


ENcosta de S. Vicente- Torres Vedras, do lado esquerdo o conhecido restaurante Páteo do Faustino".

Jardim da Estrela, Lisboa

Estrela is one of my favourite gardens in Lisboa. Not only does it have great historic significance, its social value is clearly evident in the way it is used and appreciated by local people.

I sketched here is 2014, capturing the charming ‘Biblioteca Jardim’ (surely the world’s smallest library), and this visit turned my attention to the fantastic bandstand. Architects have a fondness for straight lines but lately I’ve been trying to overcome this problem and give more personality to the subject—buildings included.


roygbiv




Portel

Na eminência de uma possível despedida desta vila alentejana, o melhor é fazer mais um sketch.

Cloud Gate

Eu bem queria desenhar este (feijão) Cloud Gate, do Anish Kapoor mas nem sabia por onde começar.
A coisa não tem arestas, não tem linhas, nem sombras.
É tudo reflexos e mesmo os reflexos mudam com nossa a mínima mudança de posição. Mesmo s nuvens e o sol mudam. Uma dor de cabeça para qualquer arquiteto sketcher. 
Se calhar é por isso mesmo que resulta tão surpreendentemente deslumbrante.
(Em Chicago, o correspondente USkP.)

10x10 na Comunidade de Emaús

Tema 10: Reportagem de grupo
Mário Linhares

Última sessão do 10 years x 10 classes: um grande projecto internacional USK que decorreu em várias cidades do mundo! E Lisboa não foi a excepção! Com grandes formadores e excelentes exercícios de desenho!
Por aqui terminamos com quem deu início a isto tudo!
 

A Comunidade de Emaús não dá preferência aos objectos expostos por longos corredores ao ar livre. Como também não dá importância à história que existe por trás de cada pessoa que por lá passa. Também não interessa saber o futuro que cada companheiro escolhe para si. Apenas se foca na pessoa. Aquela que procura estar e estar bem. 
E assim também era o primeiro exercício proposto pelo Mário: desenhar em pequena escala os objectos na parte inferior da página e desenhar uma pessoa da Comunidade em escala maior na parte superior da página, dando-lhe assim a sua devida importância!  


Este não é o resultado da proposta do segundo exercício, que seria fazer uma mancha com aguarela e depois desenhar com a caneta preta o edifício e, mais uma vez, pessoas em escala maior! Fiquei com o Matias, enquanto ele dormia e, talvez por isso, tive o privilégio de apreciar esta vista. Sim, é verdade que estava limitada à escolha do ponto de vista, como também o facto de levar as páginas já com um fundo preparado não me dava margens para usar a aguarela, mas também não nego que recusei-me em desenhar uma pessoa nestas páginas... acho que não queria "estragar" as páginas...

Caderno XS - Actualização

Um café à noite

Um almoço na Dolcevita

Uma espera na esplanada da Praia do Coral

E o exame de karaté do meu filho


ENcosta rosa

Há alguns anos atrás, nunca me passaria pela cabeça desenhar na encosta de São Vicente a vermelho com tons rosados, mas as experiências levaram-me a pegar de novo na tinta vermelha.
Conheço estas encosta quase como a palma da mão, via do destino voltei passar por estas ruas em trabalho depois de há muitos anos atrás a percorrer regularmente para visitar os meus avós.
O objectivo deste encontro era registar espaços que mais tarde irão ser alvo de requalificação.


Não optei pelos elementos mais óbvios mas por percursos que me dizem algo de outros tempos.


No fim, o cansaço já apertava, durante a semana acabei por ficar engripado e o vento que se fez sentir não ajudou, mas fui ficando e resistindo até ao ultimo dia, a companhia foi ficando cada vez melhor e existem oportunidades que não se podem passar.
As casas vazias também tem histórias, esta não era dos meus principais objectivos, mas estava cheia de pistas interessantes de outros tempos.

Toronto

Cá está ele!
Não sei se moram lá ou se estão à minha espera para se manifestarem mas, sempre que me calha fazer escala num qualquer aeroporto internacional vejo pelo menos um senhor "forte" com uma camisa hawaiana.
Divirto-me a contar quantas palmeiras lhe cabem na largura dos ombros...
Do vosso correspondente USkP (a caminho) de Chicago.


ENcosta de S. Vicente: registo físico e social

Tenho aguardado para escrever algumas palavras sobre o que se passou em Torres Vedras, entre os dias 17 e 22 de julho. Preciso de mais uns dias para recuperar e escrever algo à altura do que ali se passou. Mas a gratidão sobrepõe-se e aqui ficam algumas palavras e imagens.
 
Quando convidei a Suzana e o António, tinha plena consciência da qualidade do trabalho deles, logo as expectativas já estavam elevadas. Mas o resultado superou todas as expectativas. No dia 17 iniciaram a emersão na ENcosta e ainda no dia 17 passaram a fazer parte daquela comunidade. Isso não se consegue só com a qualidade do traço ou da mancha, consegue-se sim com caracter, simplicidade e um coração do tamanho do mundo. Fiz questão de deixa-los percorrer o caminho sozinhos, livres de preconceitos, pois tinha certeza que iriam ser bem recebidos.
O Desafio deste convite consistia no registo físico e social da Encosta de S. Vicente, cujo processo de regeneração urbana inicia no próximo mês de setembro. Mas eles conseguiram mais, muito mais, conseguiram aumentar a autoestima de uma comunidade que se sente excluída, tendo em conta o seu caracter periférico.
Se uma imagem vale mais do que mil palavras, uma pessoa vale mais do que mil casas.
Provavelmente outras residências virão, mas esta terá sempre um lugar de destaque e isso deve-se sobretudo à Suzana e ao António. 
 
 
 
Entre os dias 17 e 22 de julho, passaram por Torres Vedras 56 desenhadores, vindos de vários pontos do país, que de forma generosa enriqueceram ainda mais o trabalho iniciado pela Suzana e pelo António.
 
O momento alto foi o dia 22 de julho, o último dia, onde se concentraram 45 desenhadores de várias idades.
 
O local de encontro foi o antigo matadouro municipal, cuja reabilitação permitirá a instalação do Centro de Artes e Criatividade. A parte da manhã foi dedicada ao Matadouro, Bairro Reis e Bairro da Floresta.
 
 
 
O Grupo da manhã: foto de Inês Mourão
 
 
 
 
O almoço foi no Choupal. A parte da tarde foi dedicada ao Choupal e Ermida Nossa Sra. do Ameal. Os mais "corajosos" (estava imenso calor) e  subiram a Encosta até ao bairro do Forte. O António foi mesmo até ao topo mais alto para levar o pessoal a desenhar "telhados deformados". A Suzana ficou-se pela Loja do Sr. Cuxixo e da Sra. Prazeres. Cá fora sentada, estava a moradora mais velha do Bairro, 96 anos - a Suzana desenhou-a. Enquanto isso várias pessoas aproximam-se, observando o trabalho da Suzana. Momentos de alegria.
 
 
 
 
 
Às 17h ocorreu a tertúlia - partilha de experiências com Suzana Nobre e António Procópio. O local escolhido foi a secular Ermida Nossa Sra. do Ameal.
 
 
 
 A tertúlia contou com a presença de elementos da comunidade que assistiram à apresentação dos desenhos, dos seus rostos, das suas ruas, das suas casas, do Lugar onde vivem - Encosta de S. Vicente.
 
 Grupo da tarde
 
Assim terminou uma iniciativa, pelo menos a 1ª fase. Para o ano está previsto um novo encontro, já com as obras a decorrer, mas até lá terão novidades desta iniciativa. O que aqui se fez terá certamente outros resultados, nem que seja como forma de agradecer à população, aos desenhadores e claro, à Suzana e ao António, a quem ficarei eternamente grato.
 
Em meu nome, do Município de Torres Vedras e da Cooperativa de Comunicação e Cultura, muito obrigado a todos.
 
Uma palavra de apreço aos parceiros institucionais que muito contribuíram para o sucesso do evento através dos canais de comunicação: Oeste Sketchers; DGPC; Ordem dos Arquitectos; Associação Portuguesa de Reabilitação Urbana e Protecção do Património. Não menos importante foi o contributo da Winsor & Newton, pelo patrocínio com material (papel e marcadores)
 
 
Toda a informação:

Mata dos Medos


O pinhal do Rei foi o lugar para conhecer e desenhar na terceira edição de A Casa João do Rio vai à Caparica, desta vez sem a presença física da Maria Celeste.
Mais desenhos em oquecabenomeuolhar.blogspot.com

segunda-feira, 24 de julho de 2017

ENcosta: As pessoas

Na visita guiada pelo André Batista compreendemos a dimensão social deste projeto. Eu e a Suzana estávamos muito ansiosos por começar. A seguir ao almoço subimos a encosta. Não levávamos planos. Fomos à descoberta. Eu à procura das casas vividas. A Suzana à procura dos rostos que nelas habitavam. A nossa primeira paragem foi na Loja. A Loja é um café/mercearia, o único deste lado da encosta. Têm duas portas. Uma dá para a mercearia, a outra para o café. Mas no seu interior o balcão é comum às duas. 
À porta há sempre alguém sentado pelo que a Suzana não perdeu tempo e perguntou a um Senhor se o podia desenhar: O Sr. Mineiro. O Sr. Cuxixo que já sabia ao que vínhamos, serenou o Sr. Mineiro que não estava a perceber porque raio alguém o quereria desenhar. Após as primeiras linhas tudo ficou mais fácil. O sucesso foi tal que no fim o Sr. Mineiro queria pagar à Suzana. E depois de muita insistência aceitámos um café. E é com este espírito de gratidão por estarmos ali, que fomos acolhidos, acarinhados e tratados como família. Ofereceram-nos fruta, inquietavam-se quanto estávamos ao sol e no final de tarde eu arranjava sempre um companheiro para uma cervejinha. Fomos muitas vezes convidados para entrar em casa como é o caso da Dona Aurora que mora na Rua António da Silva Hugo.
Subindo as escadas do lado esquerdo e virando à esquerda encontramos a Dona Aurora.
A Dona Aurora é mais um exemplo do tipo de pessoa que mora aqui. Com 91 anos transmite alegria e boa disposição apesar de se perceber que a vida não tem sido fácil. Vive no cimo da encosta pelo que se torna muito difícil descer até à cidade. Mas a cidade também vem até cá. Às Terças feiras a camioneta do Sr. Rui sobe a encosta com frutas e vegetais.
O desenho tem esta dimensão humana que aqui foi levada para um nível que nunca tinha sentido.
Quando no sábado me despedi ouvi um "até segunda". Já não éramos visitantes. Fazíamos parte do bairro. Enchi um caderno A4 de desenhos e estou a tentar agrupar e sintetizar esta viagem. Mas são tantas as histórias que se torna difícil. Amanhã vou contar a extraordinária história do Xico das medalhas.



ENcosta com António e Susana

Quando consegui ir ter com o António Procópio, ele já estava a devorar escadas... o seu primeiro desenho estava muito bom, mas ao procurar dar sombras, ficou mastigado. Depois de alguma conversa andou às voltas com o grafismo e decidiu fazer outro... mais simples, onde se percebia melhor a distorção e a geometria da escada.Segundo ele tem de ser algo imediato, o primeiro desenho sai-lhe sempre melhor, comigo é contrário, preciso sempre de algum tempo para encontrar o ritmo do processo de desenhar, principalmente depois de uma caminhada com escadas...A Susana veio juntar-se a nós mais tarde, estava a desenhar a senhora da casa no topo das escadas.


A meio da semana encontrei o António a desenhar junto à rua marginal da encosta, cheia de movimento. Pensava eu que já havia algum cansaço mas não, a Susana apareceu e foram os dois explorar a Cruz das Almas enquanto o meu desenho lento me levou a ficar ali mais um pouco de pé, quase na estrada, a desenhar. Quando me juntei ao António, ele já tinha um desenho novo, ainda fomos descobrir pérolas no meio do mato mas a hora de jantar não deu para mais desenhos.

Antes do encontro de sábado ainda me juntei a alguns reforços ansiosos por desenhar a encosta, consegui voltar a ver os sketchers residentes e assegurar o apoio moral.
O António ficou ao pé da taberna e depois infiltrou-se no quintal de um vizinho habilidoso, a Susana estava com a Ana Ramos a cozinhar uma vista da rua, fiquei ali com elas e mais tarde juntou-se a Lurdes, ainda apareceu um gato preto cheio de teias de aranha na testa para ver o que andávamos a fazer mas ninguém o conseguiu desenhar.

À noite ainda tivemos algumas visitas fantásticas, a sabedoria do Pedro Alves e a hiper boa disposição da Rita Catita, a Maria Inês também se juntou, mas da noite, entre histórias, sobraram mais boas memórias do que desenhos. Uma semana fabulosa ;)
Não me canso de agradecer, além das entidades envolvidas, ao André Baptista por toda a dedicação e aos dois grandes sketchers residentes que acabaram por marcar a vida das pessoas da Encosta de São Vicente.

Elevador do Lavra, Lisboa.

Azul cobalto + cinza quente + Aureolina num caderno khadi com ar de coisa velha.

Lisboa

Esferográfica : Caneta de Feltro : Tinta da China

Aviso

The area near the Cathedral in Porto is an extraordinary example of historic urbanism with people and places combining in harmony. For much longer I wonder, as tourism spreads. (But am I not also a tourist?)



roygbiv
Ola Portugal and USkP (part 2!)

here is the image (I said I was new to this)